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Restos
13 de novembro de 2011

Restos (Aroldo Galindo)

Resta sempre a indizível solidão
das noites mal dormidas em lençóis de medo
A fria companhia dos anseios vãos
das muitas tantas derrotas
travestidas de segredos

Ah, e os risos cristalinos
estilhaçados num leve sabor de histeria
Meros lampejos de imagens desfocadas na memória...

Restam ainda notas quase inaudíveis
de canções incriadas
a se esconderem teimosas e temerosas
nalgum canto escuro da alma do poeta

E o ardor, o fogo, a inquietação?
Nascidos lá pelos idos da adolescência romântica
Revividos no homem auto-sonhado independente
- falecidos, agora, numa enevoada sensação de cansaço?
Mas não há de estar morto
o que ainda se pergunta

(que as respostas, sabe lá quem as teria...)

Resta, sim, essa eterna rebeldia
estranha sombra difusa e nebulosa
que por mais trancada e comprimida
escorre sempre, imprecisa e decidida
pelas frestas das gavetas do normal
e ainda sonha
(e, ao sonhar, já se faz viva)
ser magia
ser canção
ser poesia
ser um gesto mais que o vago de um aceno
ser palavras agridoces de paixão
arrepios
leves gotas de sereno
provas vivas no orvalho das manhãs
que resiste a obstinada ousadia
marcada a ferro e vida em minha mão

Reste a dor
Restem a tristeza e a ferida
Reste mesmo a indizível solidão

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