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Canto em busca da esperança (Anos de Chumbo - 4)
28 de novembro de 2011

Canto em busca da esperança

(Aroldo Galindo)

Escute, seu moço
eu vou lhe contar
o que aconteceu
Você também viu
mas perdeu a memória
ou então se escondeu

A gente sorria
e andava nas ruas
sem medo algum
Hoje anda com medo
nas ruas desertas
sem riso nenhum

O pranto era guerra
o canto era livre
o sonho era lei
Hoje o canto alucina
o sonho desatina
e o pranto é seu rei

Você era jovem
girava a avenida
estandarte na mão
Hoje envelheceu
e pensando nos filhos
não luta mais não

Mas a melhor herança sua
é botar a esperança
de novo nas ruas

Vem, me dê a mão
cantando esse refrão
A esperança marchando de novo nas ruas
A esperança bailando de novo ar!

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Não vai dar pra esquecer (Anos de Chumbo - 3)
28 de novembro de 2011

Não vai dar pra esquecer

(Aroldo Galindo)

 

Meus amigos brasileiros
meus meros desconhecidos
meus antigos companheiros
meus cem milhões de esquecidos

Mesmo que a gente se entregue
mesmo que a gente se esconda
por mais que a gente se cale
por mais que a gente responda

Não vai dar pra esquecer
o que ele fez de nossas vidas!

Matou nossa natureza
estraçalhou nossas flores
despetalou nossos sonhos
modificou nossas cores

Chamou amor de pecado
justiça de subversão
cortou o direito de voto
e veta nossa canção...




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Sina de contramão (Anos de Chumbo)
25 de novembro de 2011

Sina de contramão

(Aroldo Galindo)

Nasci com um sinal no coração
que confundiu toda a ciência do teu mundo
Cresci, moleque louco e vagabundo
jogando pedras nas vidraças da ilusão
vivendo torto dentro da tua retidão

a minha sina
me ensina a solução
contra o silêncio e a tua sanha assassina
Pois teu poder te corrompe e te alucina
e eu me alimento do sinal do coração
- é que eu nasci com uma placa de contramão

Agora embolo, jogo torto e jogo duro
pulo pra cima do muro
pra você se atrapalhar
você se arreta
se apavora e me procura
minha doença não tem cura
e pode até contagiar

Você tem medo
e vem sorridente
e eu vejo teus dentes
querendo enganar
então eu puxo a faca da fome
o diabo se some
e só deixa o cheiro do enxofre no ar...

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Eterna Espiral
14 de novembro de 2011

 Eterna espiral
(Aroldo Galindo)

(para a melodia "Fado Brasileiro", de Paulo Guimarães)


Não sei dizer
de que é feito esse amor, afinal
oscilando entre o eterno e o banal
a girar num feroz carrossel
de luz e de ilusão
de perda e de perdão
Desatino de amargo e de mel

Não podemos fugir
dessa eterna espiral
que faz bem e faz mal
que ora enlaça e ora anseia partir

Em nosso olhar
brilha o temor de sermos sós
Nos fazemos de cais
como se os vendavais
não nascessem de nós



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Represa
13 de novembro de 2011

Represa
(Aroldo Galindo)

Cantar
é como se fosse me levar de mim
É quase como se o tempo não corresse assim
Cantar
é jogar no vento minha emoção
mostrar meu riso, meu pranto
minha solidão

Guardei mil cantos em mim
por pura defesa
Jorrei mil versos de mim
explodindo a represa

Cantando
destilo a amargura em mel e sal
é às vezes
arranco do peito mais um carnaval

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Ainda depende da gente
11 de novembro de 2011

Ainda depende da gente

(Aroldo Galindo)

Tanto suor escorreu
tanto ideal se perdeu
tanto sonho esfumaçou

Tanto amor já morreu
tanta canção nem nasceu
tanta paixão esfriou

Tanto amigo se foi
tanta saudade inda dói
tanto fulgor se apagou

Tanta miséria corrói
tanta violência destrói
tanta esperança acabou

Em tantas encruzilhadas
tantas decisões erradas
erros que a vida cobrou

A gente até foi feliz
até sonhou um país
depois tudo desandou

Nosso trem saíu dos trilhos
e com ele nossos filhos
perderam o rumo e o chão

E nessa torta viagem
só acumulam bagagem
mas nem sabem pra onde vão

Temos os sonhos cansados
o coração calejado
tanta lembrança ruim

Mas o que vem pela frente
ainda depende da gente
nada acaba antes do fim...

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Amar (loucos anos)
10 de novembro de 2011

Amar ("Loucos Anos")

Ouça
Amar, pra mim, é muito mais
que essa velha pantomima
de ciúmes e segredos
e sorrisos e venenos pontuais

Sim
Amar, pra mim, ainda é bem mais
que essa posse tão mesquinha
enquadrando os amantes
na moldura de conceitos sociais

Amor
é um raio que vem de mansinho
é um trovão que soa baixinho
pra acalentar um coração

Amor
não é a gaiola, é o passarinho
não é a chegada, é o caminho
não é o cantor, é a canção

É o mar
que beija cada grão de areia
inda se entrega à lua cheia
sem ninguém se enciumar

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Alforria (loucos anos)
09 de novembro de 2011

Alforria ("Loucos Anos")

(Aroldo Galindo)

Lá vem você
com essa agonia
desatinar minha poesia
Me deixa em paz
não me traga o cais
sou dos temporais
não da calmaria

Quero te amar
quero me entregar
mas quero navegar
no navio da boemia
Não me leve a mal
mas sou feito jornal
o meu natural
é novidade todo dia

Não vou ceder
às leis do dia a dia
eu vou rasgar a fantasia
regras banais
nao me prendem mais
regras são metais
eu sou maresia

quero voar
quero navegar
quero incendiar
minha vida de ousadia
quero ser a traça
no pano da mordaça
no peito e na raça
conquistar minha alforria.

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